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Sidnei Miranda , Estratégias brilhantes de oratória - 1
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Estratégias brilhantes de oratória - 1

A oratória detém regras e técnicas que servem para dar mais liberdade e melhorar a performance e exposição geral do comunicador de público.

 

Algumas dessas regras e técnicas apontam um caminho para melhorar a estética e a compreensão da apresentação, como é o caso das técnicas de voz e expressão corporal. Outras regras e técnicas apontam um caminho para melhorias no discurso a ser exposto. Algumas para o expositor e outras para o conteúdo.

 

Todas servem para melhorar aquilo o que chega para o público. Este percebe a qualidade do discurso, bem como do apresentador a partir do conjunto da obra. Um conteúdo bom, exposto por um apresentador ruim fica ruim e vice-versa. É sempre o orador quem dá a qualidade final ao conteúdo.

 

Existem pessoas que se apresentam com certa frequência em público e que nunca fizeram treinamento específico de oratória. Elas usam, como referência, apresentadores que admiram e que os impressionaram ao falar em público. Elas acabam copiando trejeitos e formas de expressão que lhes impacta positivamente e que tem sobre elas efeito persuasivo.

 

Elas copiam, sem saber que certos usos, apesar de causar efeito interessante em alguns casos,  nem sempre são bons para qualquer situação. Algumas vezes, são falas simples que, ditas com certa inflexão, tornam o conteúdo em questão mais interessante conferindo maior expressividade ao discurso e personalidade ao orador, mas quando analisadas isoladamente demonstram não ser indicadas para a maioria dos discursos ou mesmo para nenhum caso.

 

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Vamos ver alguns desses usos indiscriminados na oratória que acabaram se tornando lugar comum em discursos de pessoas que tem até boa exposição nas mídias, mas pouca experiência de boa oratória.

 

Logo de saída

Ao iniciar uma fala, a primeira coisa que o orador normalmente faz é cumprimentar seu público. Em seguida ele se apresenta. Esta é uma regra da oratória. Não que seja rígida e também não é obrigatório que seja logo de saída, a não ser em discursos oficiais. Mas, cumprimentar e se apresentar fazem parte do discurso e deverá ser feito, de preferência no início da apresentação na maioria dos casos.

O caso de uso indiscriminado que quero citar neste ponto inicial é a fala:

 

“Para quem não me conhece, meu nome é…”

 

Particularmente eu não gosto desse recurso. Dá a entender inicialmente que a apresentação será dirigida apenas para quem não conhece o orador; aos outros não.

Em alguns casos é dito assim: “Boa noite a todos; para quem não me conhece, meu nome é ….”

Se o “Boa noite” foi para todos, por que motivo o nome não seria?

Para quem não me conhece, meu nome é fulano; Ok, mas e para quem já te conhece, por acaso seu nome mudou?

A não ser que, desde a primeira vez que o apresentador fale em público, sua audiência seja nada menos do que toda a população do planeta terra e vizinhança, eu acredito que sempre poderá ter alguém presente que ainda não ouviu falar dela. Vendo por esta ótica, o recurso é ruim tanto para quem é conhecido quanto para quem não é conhecido, apesar de a intensão ser das melhores.

Seu nome é fulano, tanto para quem te conhece, quanto para quem ainda não te conhece. E o mais incrível é que isso vai continuar sendo sempre assim. A não ser que você vá ao cartório e peça para mudar o seu nome.

Evite usar este recurso, ele também poderá transmitir uma certa arrogância que é sempre indesejável. Afinal, ele sugere que as pessoas deveriam conhecer o orador e o faz em um tom de superioridade insuspeita.

 

O recurso não é de todo dispensável. Veja estes casos onde seu uso é indicado:

  • Para quem ainda não conhece o autor “X” eu indico o seu livro “Y”

  • Para quem não sabe o conteúdo, ele está no manual do usuário.

  • Para quem busca a felicidade, e ainda não a encontrou, ela está dentro de você.

  • Para aqueles de vocês que desejarem rever esta aula, estará disponível no site.

 

A fim de substituir a fala indesejável, eu sugiro ainda estas aplicações:

  • A título de apresentação eu gostaria de dizer que (sobre si mesmo)

  • Para que todos me conheçam melhor eu preparei um slide com um resumo.

  • Boa noite a todos. Meu nome é Sidnei Miranda. Eu sou formado em Gestão Estratégica e hoje vou falar sobre os 5 passos da gestão do capital humano.

 

Alguns oradores ainda preferem sugerir um nome para sua aproximação e relacionamento com seu público falando algo assim:

  • Bom dia pessoal, meu nome é Francisco, mas podem me chamar de Chicão, que é como eu sou mais conhecido no meio onde atuo.

 

Procure ser original; pense em seu perfil e como fica melhor sua apresentação. Analise o que fica adequado na relação entre você e seu público dentro do evento em questão.

 

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Esse cara sou eu!

Uma outra forma cristalizada de expressão muito usada em público e que eu tenho arrepios em ouvir é esta:

  • “Eu sempre digo que....”

 

Com algumas variações que ficam assim:

  • “Eu sempre costumo dizer que…”

  • “Normalmente eu falo que…”

  • “Nestes casos em sempre gosto de afirmar que…”

 

Outro dia eu vi uma postagem no Twitter onde o autor disse:

“Sempre que eu ouço “Eu sempre digo que…” em alguma palestra eu normalmente penso: “Eu estou ouvindo isso pela primeira vez baby”

 

Isso define bem o que eu penso dessa afirmação do orador. O que ele afirma dizer “sempre” poderá estar sendo ouvido a primeira vez pela maioria das pessoas e poderá soar arrogante de novo. Além disso, o que uma pessoa “sempre diz igual” e nunca muda, pode ser um indício de que não está aberta a se renovar. Também induz a pensar que ele sempre soube disso e todos os presentes não, mas com um tom de vantagem que deixa os ouvintes se sentindo imbecis.

 

É um recurso pouco gentil e altamente dispensável. Pode soar irônico, intolerante e até agressivo.

 

No lugar de “Eu sempre digo…” prefira estruturas mais leves e pertinentes como:

  • Além disso…

  • Eu também gostaria de acrescentar que…

  • Outra forma de ver esta questão é…

  • Na mesma linha de raciocínio, tem o….

  • Para estes casos existe uma saída interessante que é…

  • Uma resposta que eu acredito que vai esclarecer esta questão é...

 

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Senado Romano

Nas intervenções

Quando a apresentação é uma palestra, ao contrário de um discurso formal, é possível a  participação ativa do público com perguntas e comentários. Estas situações demonstram bem qual é a habilidade do orador em lidar com o público diretamente. Mais do que isto; pode revelar traços indesejáveis do orador.

 

Um comentário que se ouve com certa frequência assim que alguém do público responde a alguma pergunta do orador é este:

 

  • “Na verdade…”

 

Esse comentário inicia as considerações que este orador faz sobre as respostas ou colocações de membros do público. Tenho ouvido essa frase inicial mesmo em situações onde os comentários são corretos, e não há nada o que corrigir. Este caso demonstra a insegurança do orador frente à possibilidade de existir gente que possa saber tanto ou mais do que ele no público. Não que seja o caso, mas se for, qual é o problema? Eu não vejo qualquer.

 

As intervenções devem ser consideradas pelo orador como oportunidades mágicas de obter a participação interessada de seu público, de estimular a compreensão, de obter feedback, de aprofundar o relacionamento tornando o orador uma pessoa mais próxima e humana. Comentários como o “Na verdade…” distanciam e causam um impacto negativo. É como se o orador estivesse anulando as palavras de seu interlocutor para sobrepor com as suas. É como se quisesse mostrar que é o único a conhecer a verdade.

 

Dividir o conhecimento compartilhando seu saber é o que constrói a autoridade do orador e não isolando-se sob uma capa de único conhecedor da verdade.

 

Como opção o orador sempre poderá agradecer o acrécimo do comentador ou respondente. E ainda poderá solicitar mais participações a fim de criar um ambiente mais interessante e enriquecer o tema com outros pontos de vista.

Para isto, basta que seja humilde, afinal, a verdade está distribuída um pouco em cada um de nós.

 

Para finalizar estas considerações sobre estratégias brilhantes de oratória eu vou deixar a frase de um antigo poeta trágico grego.

 

 

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“Não é o que o orador diz, mas o que ele é que dá peso à sua fala.” Eurípedes.

 

 

 

 

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