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Sidnei Miranda , O ouvir. (Parte 1)
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O ouvir. (Parte 1)

Mas esse não era, de fato o único e maior motivo de meu dilema. A importância de saber ouvir faz parte do bom orador. Daí é que eu acabei retomando um antigo projeto que tenho. Um novo treinamento, especificamente para desenvolver a capacidade de ouvir. Em breve vou oferecer em meu site. Meu dilema era se eu deveria incluir no curso esse conteúdo ou oferecê-lo separadamente.

Sempre fui bom ouvinte e quando me formei em PNL e depois como Coach, pude perceber maneiras ainda mais profundas de como o ouvir se torna crucial para o bom relacionamento e o bom desempenho de um trabalho, por exemplo, terapêutico.

Você já ouviu dizer que existe uma sutil diferença entre ouvir e escutar. Pois bem, existe mesmo e quero iniciar descrevendo-a.

5 DICAS PARA RECEBER FEEDBACK

Ouvir refere-se ao ato de perceber um som. Escutar envolve também a atenção que se coloca no conteúdo ouvido e consequentemente os resultados que se pode obter com o que foi ouvido.

Sendo assim, vamos tratar da capacidade que temos de ouvir na forma da escuta ativa. É uma audição mais atenta e interessada.

Para ilustrar de forma científica esse ponto da escuta ativa, quero citar um estudo do Dr. Sigmund Freud, onde ele diz que o profissional psicanalista deve tomar especial cuidado durante a sessão com seu paciente, no que se refere ao processo da escuta. Afirma Freud que essa escuta “não” deve ser concentrada pois isso faria com que o médico selecionasse parte da exposição do paciente, colocando um foco maior em trechos que talvez não fossem tão importantes e ainda perdendo parte dos relatos que continuam a ser feitos. A proposta de Freud é a de que o psicanalista, durante o processo de escuta de seu paciente, mantenha-se atento de forma linear a toda sua fala e não coloque atenção especial em pontos isolados. O princípio disso está no fato de que o paciente procura fazer associações livres ao longo de sua exposição e não necessariamente demonstra uma sequência lógica em tudo o que fala. A escuta do analista deve flutuar por toda o conteúdo uniformemente.

Mas isso ainda não é tudo, cabe também ao psicanalista que se propõe ao ser bom no que faz, durante o processo ativo da escuta, manter-se alheio a sua própria influencia de escuta pessoal, ou seja, deverá se abster de julgamentos e entregar-se à memória inconsciente. Além disso tudo, na hora de fazer anotações Freud ainda adverte para a possibilidade de, enquanto anota algo importante, perder outros conteúdos que não serão mais resgatados por estar com sua atenção voltada para o ato de anotar. O analista não deve investir em meditações, especulações, ou ainda pressuposições sobre seus casos.

A mim já serve como uma grande aula esse trecho a respeito do que o Dr. Freud deixou para seus alunos. Não fosse o bastante, ele ainda propõe formas mais adequadas de como relatar aquilo o que se percebe a partir do que se ouve. É claro que estamos nos referindo a pacientes de um psicanalista em tratamento, porém não devemos abrir mão daquilo o que pode enriquecer nossa comunicação, adequando para a realidade de nosso dia a dia de conversações a fim de obtermos o melhor resultado possível, não acha?

O que o pai da psicanálise comenta também é que não se deve revelar ao paciente os significados ocultos de suas ideias e desejos, bem como não se deve fornecer ao paciente uma solução de um sintoma ou solução de um desejo até que seja o momento certo, tanto no sentido de se identificar o momento certo para a “transferência”, conforme termo usado na área de psicanálise, como também, e principalmente, fazer isso apenas no momento que o paciente estiver pronto para receber tais informações, que é quando ele já está próximo por si só delas.

Certamente o estudo de Freud é mais rico do que as breves explicações que dei acima, mas até aqui já temos elementos para iniciar muito bem uma série de procedimentos bastante avançados em torno do que pode ser considerada uma ótima escuta.

Para relembrar de forma concisa, vou listar os pontos mais importantes até aqui:

1- Escutar de forma ativa.(ouvir com atenção, percebendo além das palavras, captando os significados profundos das frases, inclusivo fazendo relações entre trechos maiores)

2- Escutar de forma linear, sem colocar especial atenção em trechos específicos, correndo assim o erro de perder a importância de outros trechos.

3- Apenas escutar, sem anotar, evitando a perda de informações relevantes durante o processo de escrita.

4- Manter-se aberto à escuta sem julgamentos, pressuposições, análises, meditações ou comparações prévias.

5- Relatar significados, soluções e respostas prontas, apenas quando perceber que a pessoa em questão já está próxima por si só dessas informações.

 

Só até aqui já temos um curso de escuta, não é mesmo?

 

Mas, não terminamos ainda. Observe que ainda não entramos muito firmemente no terreno do diálogo em si. E também não estamos considerando ainda, o fato de o orador ser alguém que usa o feedback da plateia como recurso de escuta.

Vamos considerar como linha mestra desse texto a ação de escutar ativamente, não analiticamente, como devem fazer os psicanalistas. Assim, faremos o uso dessa capacidade de maneira a se mostrar afim com nossos irmãos psicoterapeutas, mas sem o objetivo que eles tem a frente de sua profissão.

Como foco, vamos considerar que uma escuta ativa deverá considerar a observação além das palavras, nas entrelinhas do que está sendo dito. O que na psicanálise deverá significar, observar “o desejo” por trás das palavras.

Em nossa posição de comunicadores, poderíamos considerar muito mais coisas do que apenas o desejo. Tantas são as possibilidades por trás de uma fala que não apenas um desejo escondido, que sejam: intenções, propostas, avaliações, elucidações, afirmações, etc, etc.

E afim de fechar minhas considerações acerca das comparações com as audições psicanalíticas, ainda gostaria de propor um ponto crucial que pode nos ajudar a enriquecer nossa busca pelo ouvido perfeito. A de que o “a arte do analista parece consistir em nada esperar” (Leclaire, 1977: p. 15) .

Essa é primeira parte desse texto sobre o ouvir, no próximo, vou falar sobre os conteúdos de uma mensagem, entre outras coisas muito importantes.

Para ir direto ao segundo texto, clique aqui.

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